Corte orçamentário de 18,3% poderá ocasionar o não atendimento a cerca de 33% de estudantes pobres e/ou de baixa renda

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) anunciou, nesta quinta-feira (17), que cerca de 3.500 alunos vão deixar de receber o auxílio estudantil por meio do Programa de Assistência Estudantil da Universidade Federal do Espírito Santo (Proaes-Ufes).

A informação foi publicada em forma de carta aberta, assinada pelo professor e doutor Gustavo Henrique Araújo Forde, pró-reitor da universidade, que justificou a suspensão dessa bolsa com o corte orçamentário de 18,3% na assistência estudantil da Ufes, realizado neste ano, pelo governo federal.

Em nota, a assessoria da Ufes informou que, ao todo, são 5.874 estudantes incluídos no Programa de Assistência Estudantil da Ufes (Proaes). Dentro desse total, há 1.090 que estão na lista de espera. Além disso, cerca de 2.400 ingressantes nos semestres 2020/2 e 2021/1 não tiveram acesso ao benefício. Com o corte orçamentário, cerca de 3,5 mil estudantes serão afetados.

"A capacidade orçamentária do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) para atendimento à assistência estudantil, em 2018, foi de 94%; no ano de 2019, foi de 88%, em 2020 foi de 81%; e agora, no ano de 2021, projetamos uma capacidade estimada de 67%. Isso significa que o atual corte orçamentário de 18,3% na assistência estudantil da Ufes, poderá ocasionar, agora em 2021, o não atendimento a cerca de 33% de estudantes pobres e/ou de baixa renda, ou seja, 1/3 dos estudantes em condições de vulnerabilidade socioeconômica", explicou a instituição na carta.

Em outro trecho, a universidade afirma que, em curto prazo esses cortes e vetos orçamentários, que afetam os recursos da assistência estudantil em 2021, poderão ocasionar um aumento no índice de reprovação e de evasão de grande parte desses estudantes, uma vez que a assistência estudantil impacta positivamente seu rendimento acadêmico.

"A continuidade desse estrangulamento financeiro da assistência estudantil poderá constituir-se, em médio prazo, em uma forte ameaça à continuidade do processo de democratização do ensino superior brasileiro, uma vez que muitos estudantes pobres – diante das dificuldades materiais e econômicas para se manterem na universidade – poderão vivenciar processos de evasão em seus cursos", lamentou o pró-reitor.

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