O momento tão aguardado da imunização contra a Covid-19 parecia ter chegado para a idosa Zélia Nascimento de Sousa, de 71 anos. Após conseguir o agendamento pelo site da prefeitura de Vitória para a segunda dose da vacina, ela foi à Unidade Básica de Saúde (UBS) de Santo André, na manhã desta quarta-feira (21), para aplicação da dose.

A cena foi gravada pela neta dela, Amanda do Nascimento. Foi graças a essa gravação que a família conseguiu comprovar para a direção da unidade de saúde que o enfermeiro espetou a agulha no braço de dona Zélia e fingiu aplicar a dose do imunizante.

O vídeo mostra que o profissional pedindo a idosa para suspender a manga da blusa e preparar o braço para receber a imunização. O enfermeiro espeta a agulha no braço de Zélia, porém não pressiona o embolo da seringa para injetar o imunizante no organismo da idosa. Logo depois, ele retira a agulha, coloca um algodão e a libera, como se estivesse aplicado a vacina.

Na hora, a neta não percebeu, mas antes de sair da unidade de saúde, ela decidiu rever o vídeo e percebeu que a imunização não havia acontecido. “A gente vê na televisão e nunca imagina que vai acontecer com a gente”, disse Amanda em entrevista a TV Tribuna/SBT.

Ao perceber o erro, a neta procurou a enfermeira chefe da unidade para mostrar o vídeo. “A gente foi à sala de vacinação, foram até o lixo para ver se tinha mesmo acontecido aquilo e, no lixo, estava a seringa com o insumo da vacina”, relatou Amanda.

Segundo ela, os profissionais da unidade, ao identificar o erro, pediram desculpas a elas. Na sequência, veio a tão sonhada imunização.

Outro enfermeiro encaminhou Zélia até a sala de vacinação novamente e, dessa vez, aplicou a dose da vacina e, ao final, mostrou a seringa vazia para Amanda e a avó.

Para Amanda, o primeiro vacinador alegou não ter percebido a falha. “Eu fico pensando ‘e se eu não tivesse ido lá e tivesse gravado?’ Se eu não tivesse tido essa percepção que minha avó tinha ficado sem a segunda dose, infelizmente, ela poderia pegar o vírus, como eu e outras pessoas aqui em casa já pegamos, e poderia morrer”, desabafa Amanda.

O caso revoltou também a filha de Zélia, a diarista Valdelícia Nascimento de Sousa, de 51 anos. “Por que eles estão fazendo isso? Eles estão querendo guardar para quem essas vacinas? Isso é desumano. Tanta gente querendo tomar vacina e eles fazem isso”, disse ela indignada.

Outro lado

Por nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Vitória (Semus) informa que tomou conhecimento da situação. A pasta disse lamentar profundamente o ocorrido e se solidariza com a família. “Trata-se de um caso isolado no município”, garante.

A Semus disse ainda que repudia veementemente este tipo de conduta e preza pela atenção e profissionalismo dos servidores atuantes nos serviços de saúde, sobretudo profissionais que fazem parte da Campanha de Vacinação contra a Covid-19.

“Imediatamente, a direção da unidade providenciou a efetivação da vacinação para a idosa e afastou o profissional do seu posto de trabalho. O afastamento do profissional ocorre de forma preventiva e visa a abertura de procedimento administrativo para averiguação dos fatos”.

Os atos serão apurados conforme Estatuto dos Servidores Municipais e Portaria SEMUS nº. 02/2021.

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