O período da colheita de café está em fase inicial nas lavouras do interior do Espírito Santo. Essa é uma época do ano que centenas de trabalhadores de estados vizinhos, como Bahia e Minas Gerais, cruzam a divisa para atuar nessa colheita.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, medidas precisam ser adotadas pelos municípios para evitar o aumento na transmissão do vírus por conta do fluxo maior de pessoas pelas cidades. Pensando nisso, a Prefeitura de Vila Valério, no Norte do Estado, decidiu testar os trabalhadores que estão chegando ao Espírito Santo para atuar nas lavouras de café.

A secretária de Saúde da cidade, Cazuza Rossini, revelou que, no último sábado (24), a equipe da pasta realizou a testagem de 133 pessoas que vieram de fora do Estado para trabalhar na colheita de café e 38 desses trabalhadores tiveram resultado positivo para Covid-19, porém todos estavam assintomáticos (sem sintomas).

“Cada pessoa transmite para, no mínimo, mais duas. Então, olha quantas pessoas evitamos que fossem contaminadas”, afirmou a secretária.

Rossini destacou que o exame realizado para detectar o vírus é o teste rápido de antígeno, aquele em que uma espécie de cotonete é inserida na narina e na garganta do paciente para coletar material biológico e o resultado sai em 15 minutos (diferente do RT-PCR, que leva alguns dias).

Segundo ela, todos os trabalhadores que testaram positivo estão em isolamento e receberam atendimento médico, com a administração de remédios para o tratamento da doença.

A secretária disse que essa foi uma iniciativa própria do município para evitar a proliferação da doença na cidade, principalmente de novas cepas. De acordo com ela, até o momento, não há registro de novas variantes importadas em Vila Valério.

“A partir do momento que os trabalhadores chegam, eles vão sendo encaminhadas para as propriedades e ficam no alojamento, que é o caso da maioria. Eles convivem na mesma casa, fazem as refeições juntos. A preocupação maior é o transporte deles, que ficam todos juntos, e também a hora do descanso, que acabam aglomerando no mesmo quarto”, explicou ela.

A testagem desses trabalhadores é possível pela parceria que a prefeitura tem tido com os agricultores, que autorizam a entrada das equipes nas fazendas para realização dos testes e informam à secretaria sobre a chegada dos trabalhadores.

Atualmente, a secretaria tem capacidade de realizar 150 testes de antígeno por dia e, como a partir de maio, começa o ápice da colheita do café, o fluxo de trabalhadores deve aumentar e essas testagens serão feitas todas os finais de semana.

“Em Vila Valério, a principal fonte de renda é o café conilon e a gente não pode evitar, nem pedir que eles não venham. Mas temos que pedir uma colheita segura, porque a colheita é o que movimenta o município nessa época do ano”, disse Rossini.

O período para a colheita do café se iniciar no fim de abril e se estende até junho. A secretária de Saúde de Vila Valério disse que a ideia deu tão certo na cidade, que chamou a atenção de municípios vizinhos e até de outras regiões do Estado, que querem reproduzir esse modelo de colheita segura.

“Estamos tendo contato de secretários de municípios do Norte e do Sul, até o secretário estadual teve contato para saber quais ações estamos desenvolvendo”, disse ela.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que os municípios devem realizar ações de monitoramento geral das suas populações e também daquelas que migram para seus territórios, mesmo que temporariamente. Esclareceu ainda que é necessário seguir os protocolos definidos para todas as atividades de enfrentamento à Covid-19, incluindo a testagem.

“A Sesa destaca que ações especiais como a mencionada são de fundamental importância e devem ser articuladas com a secretaria estadual, já que demandam aumento no fornecimento de insumos”.

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